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Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Segurança Pública

Eleições 2026: conheça as atribuições do Governo do Estado na Segurança Pública e os desafios trazidos pelas novas tecnologias Um entregador chega com fl...

Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Segurança Pública
Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Segurança Pública (Foto: Reprodução)

Eleições 2026: conheça as atribuições do Governo do Estado na Segurança Pública e os desafios trazidos pelas novas tecnologias Um entregador chega com flores na véspera do Dia dos Namorados e pede uma foto para confirmar a entrega. Dias depois, a imagem é usada para abrir contas bancárias em nome da vítima. Em outro caso, uma mulher recebe uma ligação desesperada da irmã dizendo que a mãe delas está morrendo e que precisa de dinheiro urgente. A voz era quase perfeita, mas era falsa. Os dois episódios ajudam a ilustrar como a preocupação com Segurança Pública em São Paulo vai muito além dos crimes violentos. Em um estado em que a tecnologia também passou a ser ferramenta para criminosos, o próximo governador terá desafios que vão das fraudes virtuais e roubos de celulares ao combate ao crime organizado, aos feminicídios e à sensação de insegurança nas ruas. Esta é a primeira reportagem da série do g1 e do SP2 que explica quais são as responsabilidades do governo estadual em áreas consideradas prioritárias para os eleitores. Viaturas da Polícia Militar de São Paulo Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo O que o governo do estado faz na área de segurança? A Segurança Pública é uma das principais atribuições do governo estadual. É ele quem comanda as duas principais forças policiais de São Paulo: Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo e preventivo nas ruas; Polícia Civil, encarregada das investigações e da apuração de crimes. Também fazem parte da estrutura estadual órgãos como a Polícia Técnico-Científica, responsável pela perícia. Quando um crime é investigado, quando uma delegacia funciona, quando uma operação policial é realizada ou quando uma viatura faz patrulhamento, há atuação direta do governo estadual. Para executar essas funções, o estado destinou aproximadamente R$ 21 bilhões, o equivalente a 5,5% do orçamento estadual, para a área de segurança pública em 2026. Em volume de recursos, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ficou atrás somente da Saúde e da Educação. Saiba qual é o o papel do governo do estado nas áreas que mais preocupam o eleitor de SP Crimes estão mudando Se antes a preocupação dos paulistas estava concentrada em assaltos, furtos e homicídios, hoje a tecnologia ampliou o leque de ameaças. A Divisão de Crimes Cibernéticos (Decciber), criada pela Polícia Civil paulista em 2020, investiga golpes que envolvem clonagem de voz, perfis falsos de investimentos, invasão de contas, falsificação de documentos e pedidos fraudulentos de dinheiro feitos em nome de parentes. Somente em 2025, a Decciber solucionou 353 casos relacionados a crimes cibernéticos, praticamente um por dia. Segundo investigadores, criminosos conseguem usar poucos segundos de áudio retirados de ligações telefônicas ou vídeos publicados nas redes sociais para reproduzir vozes por meio de inteligência artificial. Foi o que quase aconteceu com a advogada Célia Regina Zaparolli Rodrigues de Freitas. Ela recebeu uma ligação que imitava a voz da irmã pedindo ajuda urgente após uma suposta emergência médica envolvendo a mãe. A fraude só foi descoberta depois que familiares confirmaram que todos estavam bem. Celulares apreendidos durante operação policial Polícia Civil Celular virou alvo estratégico do crime Nas ruas, o celular se consolidou como um dos bens mais visados pelos criminosos. Em 2025, foram registrados 254 mil roubos e furtos de celulares no estado de São Paulo, uma média de aproximadamente 700 ocorrências por dia, ou um celular roubado ou furtado a cada dois minutos. O prejuízo financeiro não está apenas na perda do aparelho. Muitas vezes, o acesso ao dispositivo permite invasões de aplicativos bancários, golpes financeiros e obtenção de dados pessoais que alimentam uma série fraudes digitais. Por isso, a capacidade de investigação tecnológica da polícia passou a ser um dos fatores mais importantes para enfrentar esse tipo de crime, segundo especialistas. Fantástico mostra como funciona ferramenta que faz varredura em celulares apreendidos pela PF Mais câmeras ou mais policiais? Nos últimos anos, São Paulo ampliou o uso de tecnologias de monitoramento e reconhecimento de imagens para auxiliar investigações e ações policiais. Mas o emprego de tecnologia não elimina a necessidade de efetivo nas ruas. Para o ex-secretário nacional de Segurança Pública Ricardo Balestreri, o monitoramento eletrônico é uma ferramenta importante, mas precisa estar articulado à presença policial nos locais com maior incidência de crimes. "A presença humana é imprescindível. A presença das câmeras é muito importante no mundo contemporâneo, mas ela só é eficiente quando há um mínimo de presença humana articulada. Claro que você não pode botar polícia em todos os lugares, e nem precisa, porque a gente sabe quais são os lugares que precisam de câmeras e quais são os lugares que precisam também de polícia", avalia. Balestreri também avalia que a simples circulação de viaturas não é suficiente para aumentar a sensação de segurança da população. Para ele, além das operações de patrulhamento, é importante que as forças policiais estejam acessíveis e presentes no cotidiano das comunidades. Totens de câmera de vigilância em prédios de São Paulo Reprodução/Google Maps Indicadores nem sempre contam a mesma história São Paulo registra uma das menores taxas de homicídio do país – 7,8 vítimas a cada 100 mil habitantes, segundo dados o Anuário de Segurança Pública. O indicador é o segundo mais baixo do país, atrás apenas de Santa Catarina. Mesmo assim, crimes de grande repercussão, ataques ligados ao crime organizado e a persistente sensação de insegurança mantêm o tema entre as principais preocupações dos moradores do estado. Outro desafio é o aumento dos feminicídios, apontado por especialistas como uma das áreas que exigem maior investimento em acolhimento, prevenção e estrutura policial. No primeiro semestre de 2026 foram registrados 141 casos de feminicídio no estado, um recorde na série histórica iniciada em 2018. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve aumento de 10%, segundo dados da SSP. Brasil bate recorde de casos de feminicídio em 2025 Nesse contexto, delegacias especializadas, atendimento permanente às vítimas e mecanismos de proteção às mulheres estão entre as medidas para enfrentar o problema. Balestreri defende que as delegacias funcionem como portas de entrada para o acolhimento e afirma que o atendimento presencial continua sendo essencial para romper ciclos de violência. "Delegacia é pronto-socorro. Não dá para fechar", afirmou. Segundo ele, é preciso ampliar a estrutura disponível para que as mulheres tenham segurança para procurar ajuda e levar casos de violência ao conhecimento das autoridades. Especialistas ouvidos pelo g1 e pela TV Globo defendem que o enfrentamento da violência envolve também políticas públicas em outras áreas. Iluminação urbana, educação, saúde, qualificação profissional e oportunidades econômicas são apontadas como fatores que ajudam a reduzir a vulnerabilidade social e, consequentemente, o ambiente favorável ao crime. Por isso, o debate sobre Segurança Pública não se restringe à atuação das polícias. Também envolve a capacidade do Estado de oferecer serviços e oportunidades em regiões mais vulneráveis. A próxima gestão estadual terá de responder tanto aos desafios de um crime cada vez mais tecnológico quanto a problemas históricos que continuam afetando a vida de milhões de paulistas.